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Lerry Granville é confiável? Ou grande furada?

Lerry Granville é confiável? Ou grande furada?

Ele saiu do status de “falido” ao patrimônio de um milhão de reais após conhecer o mercado de leilões, mas será que a história é verdadeira? Confira a trajetória de Lerry Granville nesta entrevista (Imagem: Reprodução Empiricus)Você já deve ter lido algo sobre Lerry Granville na internet. A história é a seguinte: ele estava endividado, trabalhava de pedreiro e ficou milionário arrematando imóveis de leilão. Parece tudo bom demais para ser verdade, não concorda? E eu acho compreensível que a essa altura você esteja se questionando: Lerry Granville é confiável?

A história que se conta é de que Lerry Granville é hoje milionário com leilões e tem um histórico de mais de 190 imóveis arrematados. No entanto, ele nem sempre teve tanto sucesso. Antes de atingir esse status, Granville chegou a beirar a “falência”. Endividado, recém-casado, pai de dois filhos e com apenas 24 anos de idade, ele foi notificado de que sua própria casa estava indo a leilão, pois as prestações do financiamento já não estavam mais sendo pagas.

Em desespero e sem dinheiro, Granville decidiu acompanhar o processo do leilão no foro de Tristeza, bairro da zona sul de Porto Alegre, por conta própria. O intuito, à princípio, era encontrar uma maneira de impedir ou pelo menos atrasar o andamento do processo. Mas, ao chegar lá, ele acabou descobrindo que aquele era um mercado altamente lucrativo. “O que realmente me chamou a atenção enquanto eu acompanhava sozinho o meu imóvel indo a leilão foi o preço. Até então eu não sabia por quanto ele havia sido anunciado, e descobri que era quase a metade do que eu paguei”, conta. 

Foi quando Granville percebeu o tamanho da oportunidade que estava diante dos olhos e decidiu mergulhar fundo neste mercado. No mesmo lugar onde ele quase perdeu o próprio imóvel, foi onde fez a primeira arrematação de sucesso: 

Era um apartamento em um condomínio bem legal. O preço de mercado era uns R$ 70 mil, mas eu paguei R$ 29 mil e vendi por uns R$ 60 mil em questão de 30 dias – Lerry Granville

Ele se aperfeiçoou na área, graduou-se em Direito na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), fez uma pós-graduação em Direito Imobiliário na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e tornou-se perito judicial analista criminal

E, embora ele tenha começado com imóveis, depois descobriu ser possível fazer o mesmo com carros. E não se engane: não estou falando de sucata, e muito menos de carros batidos. Granville aprendeu que, além de haver boas casas e apartamentos com até 50% de desconto, existiam carros praticamente novos com valores muito inferiores aos da tabela Fipe (índice que mede o preço médio dos veículos no Brasil).

Após tomar conhecimento disso, Granville não perdeu tempo. Passou a “garimpar” leilões de carros e tirou proveito de um mercado que, assim como o de imóveis, não tem praticamente nenhuma concorrência.

Mas, afinal, como um homem que inicialmente não tinha um real no bolso acumulou um patrimônio milionário só participando de leilões? 

Talvez você até tenha ficado interessado na possibilidade de comprar o seu primeiro imóvel ou o seu primeiro carro pela metade do valor justo e até quis conhecer a estratégia dele, mas a “pulga” atrás da orelha cochichava: “Será que esse tal Lerry Granville é mesmo confiável?”.

Para saber se os resultados e o patrimônio que ele conquistou realmente existem, eu o convidei para um bate-papo. A seguir, você pode conferir os melhores momentos da conversa e tirar suas próprias conclusões:

Como você começou no mercado de leilão? Foi realmente sem ter um real no bolso, como contam as campanhas de marketing?

Eu já tinha um bom conhecimento técnico na área de informática na época, casei cedo, tive filhos cedo… Conheci a minha atual e única esposa e com sete meses de namoro me casei, pra você ver como sempre fui intenso nas coisas que fiz. Mas com essa intensidade, vem também alguns desafios. Embora a gente pense que o mundo é só flores e que tudo vai dar certo, não é bem assim, e eu aprendi isso da pior forma possível. 

Quando me casei, não estava preparado financeiramente para isso. Até comprar o meu primeiro apartamento, moramos por quase dois anos na garagem da minha mãe. Nesse tempo guardamos um “dinheirinho” e conseguimos nos mudar. Só que a vida financeira ainda não estava resolvida. Ao mesmo tempo em que comprei o apartamento, também quis montar uma empresa de informática e aumentá-la. Lá, eu tinha muitos funcionários inexperientes e foi nessa época que aprendi a importância de pegar coisas técnicas e “mastigá-las” para transformar em uma linguagem simples e clara para leigos.

Com a falta de experiência a loja começou a dar prejuízo, eu fui parando de pagar as contas para repor peças, me enrolei e precisei recorrer ao cheque especial, a 14,5% de juros na época. Comecei a pagar o mínimo e a cada mês a dívida ficava maior. Em um ano, ela dobrou de tamanho e virou uma “bola de neve do mal”. E quando o banco percebe que seu nome está negativo, ele para de emprestar dinheiro. Foi nessa hora que tive que escolher entre comer e pagar boletos. Mas quando chegou um oficial de Justiça dizendo que minha casa iria a leilão, a “ficha caiu” de fato e eu comecei a entrar em desespero.

O que você fez para sair da situação de “falido” ao primeiro arremate de sucesso?

Primeiro fui consultar um advogado, mas ele queria cobrar mais do que a prestação do apartamento que eu estava devendo para resolver o caso. Então decidi que faria tudo sozinho, fui até a Biblioteca Pública e comecei a pesquisar sobre leilão. Mas só o que eu achei foram livros sobre a história do leilão e leilões de outras coisas, como de arte, e nada sobre o mercado imobiliário. Na época, esse assunto ainda era uma novidade, as leis não favoreciam quem arrematava, pois ainda eram baseadas em um decreto de 1973. Você comprava um imóvel, mas não tomava posse porque ninguém conseguia desocupá-lo. E eu fiquei pensando “vou fazer isso, ninguém vai tirar a minha casa”.

Fui para o foro de Porto Alegre e decidido a brigar pelo meu apartamento. E lá tomei conhecimento sobre uma coisa que mudou o meu processo. Basicamente, quando eu me casei não alteramos os documentos da minha esposa para o nome de casada. E isso me deu um grande benefício, pois foi desse jeito que o gerente do banco nos deu crédito, já que o meu nome estava sujo e o dela não, e com esse crédito eu consegui renegociar as minhas dívidas. 

Mas o que realmente me chamou a atenção enquanto eu acompanhava sozinho o meu imóvel indo a leilão foi o preço. Até então eu não sabia por quanto ele havia sido anunciado, e descobri que era quase a metade do que pagueiSe o imóvel valia R$ 100 mil, ele estava indo a leilão por R$ 50 mil. Foi com essa informação que eu comecei a despertar para esse negócio de leilões. Naquele mesmo foro que meu apartamento quase foi a leilão, foi onde eu fiz a minha primeira arrematação. 

Como foi a sua primeira experiência com leilão?

Estávamos eu, o leiloeiro e um outro cara disputando um imóvel. Então eu dei alguns lances, ele deu mais outros e eu consegui arrematar. Era um apartamento em um condomínio bem legal. O preço de mercado era uns R$ 70 mil, mas eu paguei R$ 29 mil e vendi por uns R$ 60 mil em questão de 30 dias, algo bem rápido. Mas o que eu não sabia naquele dia é que eu poderia ter comprado um monte de outros imóveis só com uma entrada, já que a lei permite o parcelamento judicial de até 30 meses

E eu me dei conta disso porque quando eu estava indo embora o leiloeiro falou “espera aí, eu preciso fazer mais uns leilões aqui”. E eu disse “mas como assim? Não tem mais ninguém aqui, eu não quero comprar e o outro comprador foi embora”. Aí ele me explicou que era obrigado por lei a ler todos os editais, mesmo que não houvesse nenhum interessado. 

Eu fiquei acompanhando ele lendo um monte de papéis. Acho que ele passou uns 20 imóveis sem ter nenhum candidato para comprar. Eu não tinha mais condições de comprar nenhum imóvel naquele momento e não sabia nada sobre leilão parcelado. Se eu soubesse o que sei hoje, com o dinheiro que comprei um imóvel eu teria dado entrada em mais uns dez

E os leilões de carros? Em qual momento você começou a arrematar veículos também?

Depois de fazer a minha primeira arrematação de imóveis, comecei a buscar outras. Estava sempre me policiando, porque quando você ganha dinheiro, quer gastar. E não é porque eu estava ganhando que eu deveria torrar. Eu queria trocar de carro, tinha uns carros mais antigos e quando eu quebrei lá atrás, fiquei a pé. Assim como o meu apartamento, o oficial de justiça também tomou o meu carro. Ele estava emprestado para um amigo, então eu fui até o depósito para saber o que tinha acontecido. Briguei, xinguei, achei injusto terem o tomado quando eu já havia pago 80% do valor do carro e tinha atrasado apenas duas parcelas. 

Fiquei com aquilo na cabeça, a vida seguiu e comecei a arrematar imóveis. Quando eu entrei nessas arrematações, fui em um leiloeiro na Zona Sul de Porto Alegre. Para chegar no galpão dele, onde aconteciam os leilões, passei por alguns carros. Eu queria comprar um carro, mas sempre pensava que carro desvaloriza. Aí passei por uma BMW, olhei ela inteirinha e fui me informar. A atendente me disse que ela iria a leilão na próxima semana, e eu fui até lá na data, mas havia sido retirada do leilão. A pessoa pagou a dívida pendente e conseguiu pegar a BMW de volta. Mas o valor dela foi o que me espantou: ela ia ser anunciada por um terço do que realmente valia. Foi ali que comecei a frequentar os pátios do Detran e a olhar carros de São Paulo. Assim, comprei o meu primeiro carro de leilão.

Percebo que boa parte do conhecimento de leilões você adquiriu com a experiência. Mas depois de tantas arrematações, você se especializou e estudou algo nessa área?

Sim. Eu sou formado em Direito pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), pós-graduado em Direito Imobiliário pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), sou analista criminal e também perito judicial. Além disso, também fiz especializações e pós-graduações na área de inteligência artificial, uma segunda área da qual também gosto muito.

E hoje, você ainda participa de leilões de carros e de imóveis, ou vive do patrimônio que construiu?

Eu arremato sempre. Esse momento de pandemia foi quando eu mais consegui arrematar, tanto para mim como para clientes. E eu faço isso pois tenho uma máxima comigo que é a seguinte: quem sabe faz, quem não sabe só ensina. E eu quero ensinar os meus alunos a fazer, então eu não só arremato como também testo. Faço financiamento, que é algo que eu não precisaria mais, parcelamento, consórcio, arrematações fora do país, e tenho alguns investidores que me acompanham nisso. 

E no caso do leilão de carros há uma vantagem agora, pois estamos vivendo um momento um pouco atípico. Com a falta de matéria prima causada pela pandemia, os carros usados estão muito mais caros. Por essa razão, acredito que o leilão de carros é uma ótima alternativa. Veja, eu comprei uma BMW do ano 2013 que na tabela Fipe custa mais de R$ 100 mil. Mas no leilão, consegui arrematá-la por R$ 58 mil.

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